É certo e sabido que os pesticidas podem ser extremamente prejudiciais à nossa saúde. É a própria União Europeia a dizê-lo. Mas desta não estávamos à espera!

De acordo com um relatório recente (Maio 2022) da Pestide Action Network (PAN) Europe, pesticidas extremamente perigosos têm sido encontrados cada vez mais nas frutas e vegetais vendidos na Europa e a evidência mostra que os governos não têm cumpridos as suas obrigações legais.

Trata-se de pesticidas de uma categoria fortemente regulamentada por ser precisamente muito perigosa e por estar ligada a uma série de doenças crónicas, incluindo cancros, problemas cardiovasculares ou diabetes. Na verdade, a própria regulamentação europeia define estes pesticidas como os mais perigosos que permanecem à venda no mercado europeu.

Este estudo, que analisa a evolução da contaminação das frutas e vegetais por estes pesticidas entre 2011 e 2019, demonstra, por exemplo, que os kiwis em 2011 praticamente não estavam contaminados por estas substâncias (4%), sendo que em 2019, quase 1/3 (32%) estavam contaminados. Da mesma forma, 50% das cerejas estavam contaminadas em 2019, comparando com 2011, em que a contaminação era de 22%. 

Embora os cientistas alertem para a crescente evidência que tais ‘cocktails químicos’ têm impactos nossa saúde, tal ainda não foi avaliado pelas autoridades, apesar de ser exigido por lei.

E se achas que isso não acontece em Portugal, aí é que te enganas! Em 2019 descobriram que a contaminação nas pêras e nas maçãs por pelo menos 1 destes pesticidas era de 85% e 58%, respetivamente, colocando Portugal como o 2º Estado Membro onde estas frutas são produzidas com maiores quantidades de pesticidas perigosos. Estes números são muitíssimo alarmantes!

Mas então algo não bate certo…

Com base nas vendas, a Comissão Europeia afirmou que a utilização desta categoria de pesticidas perigosos sofreu uma redução de 12% em 2019 em comparação com 2015-2017. No entanto, o relatório mencionado, que fornece provas da quantidade de pesticidas que acabam na realidade em alimentos consumidos diariamente por uma grande maioria dos consumidores europeus, é uma forte refutação a essa alegação: em 2019, a proporção de frutas e legumes contaminados com estes pesticidas aumentou 8,8% em relação a 2015-2017. Esta metodologia de análise alternativa revela que a utilização dos pesticidas mais perigosos na Europa está de facto a subir, não a descer.  

Estarão as autoridades a analisar os indicadores de maior fiabilidade?

O que verificaram também neste relatório é que desde 2011 que os Estados Membros são obrigados a substituir estes pesticidas perigosos por outras alternativas mais seguras (substituição de 100% até 2030), mas ao que parece, nada foi feito até ao momento, pondo em risco a saúde dos consumidores e também do ambiente, tendo em conta que estes pesticidas também são altamente tóxicos para o ambiente.

Como podemos, com estas notícias, dizer que estamos a caminhar no sentido de uma agricultura mais sustentável?

O que provavelmente muitos também não sabem é que o próprio composto orgânico reduz a necessidade de pesticidas e fertilizantes sintéticos. Uma vez que o composto enriquece o solo e promove o crescimento saudável das plantas, as plantas cultivadas em solo rico em composto tendem a ser mais resistentes a doenças, pragas e fungos. 

Além disso, o composto é uma fonte de nutrientes de libertação lenta para as plantas. Os diversos materiais do composto decompõem-se a ritmos diferentes, libertando lentamente nutrientes durante um longo período de tempo, em vez de os libertar a todos de uma só vez, como fazem os fertilizantes químicos. O composto orgânico altera mesmo a estrutura do solo para que retenha nutrientes de forma mais eficaz.

Eu por cá vou certamente começar a plantar as minhas frutas e legumes na minha casa, com o composto super nutritivo do Bokashi. É a forma de garantir que não vou estar a ingerir esses venenos que por aí andam…

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