Como fazer a compostagem de jardim? (termofílica)

18, Mai. 2022

Como fazer compostagem no teu jardim, quais as vantagens, como escolher o local para o compostor, que resíduos podes e não podes colocar, por onde começar e que fatores influenciam a compostagem, são apenas alguns dos tópicos que vamos abordar neste artigo! Vens connosco?

O que é a compostagem?

A compostagem é o processo de degradação da matéria orgânica na presença de oxigênio, por intermédio de microrganismos decompositores, e o resultado é um adubo muito rico em nutrientes para o solo. Aqui podes ler o nosso artigo sobre compostagem. A compostagem é, muitas vezes, vítima de preconceito, contudo a Mudatuga está cá para desmascarar alguns deles: compostagem não cheira mal, não é difícil e podes fazê-la mesmo dentro de um apartamento! Vê aqui como. Acreditamos que existe uma alternativa de compostagem para cada pessoa ou família, e que, com a nossa ajuda, tu também podes encontrar o método mais adequado para a tua rotina! Neste artigo, vamos falar sobre compostagem termofílica (tipicamente chamada de “compostagem de jardim”).

Vantagens da compostagem

Quando fazes compostagem, estás a cuidar do futuro do teu planeta, a assumir responsabilidade sobre o lixo que produzes e ainda a divertir-te! Vais ver que é uma atividade que te vai conquistar e, facilmente, cuidar do teu compostor vai passar a ser o teu hobby semanal. Algumas vantagens da compostagem são:

  • Permite desviar resíduos do aterro/incineração (e consequentemente reduzir as emissões de gases de efeito estufa);
  • Permite-te produzir adubo orgânico de forma gratuita;
  • O composto melhora a estrutura dos solos, a saúde e crescimento das plantas e ajuda a reter a água;
  • Reduzes as idas ao contentor do lixo.

Quem pode fazer compostagem termofílica?

Se a tua casa tem um pequeno espaço exterior livre, com relva, a compostagem termofílica é ideal para ti.

Compostores termofílicos

Existem diversos tipos de compostor, com diferentes formatos, diferentes capacidades e construídos com diferentes materiais. Um compostor termofílico tem normalmente entre 300 e 500 litros, é feito de madeira, metal ou plástico e tem várias aberturas para a entrada de oxigénio. Se tiveres espaço suficiente, podes até criar apenas uma pilha no teu jardim, sem necessidade de comprares um compostor, mas aconselhamos-te a envolveres a pilha numa rede metálica para evitar a invasão de pragas/roedores. Podes também construir o teu próprio compostor. Com 4 paletes de madeira do mesmo tamanho, um martelo, uns pregos e umas dobradiças, já consegues construir um compostor de jardim.

Como escolher o local?

  • Escolhe um local de fácil acesso;
  • O compostor deve estar em contacto com a terra ou relva para possibilitar a drenagem da água e a entrada de microrganismos benéficos do solo para a pilha;
  • O compostor deve estar protegido do vento e abrigado do frio/chuva no inverno (dica: se possível, colocar o compostor debaixo de uma árvore de folha caduca: sombra no Verão e sol no Inverno).

O que podes compostar?

De forma geral, todas as frutas, verduras e legumes (ainda crus) e resíduos do jardim/quintal podem ser colocados no compostor. Para que a compostagem decorra da melhor forma, convém ter a maior diversidade de resíduos possível numa proporção de 2x castanhos para 1x verdes. Isto funciona como uma receita de bolo: deves colocar a quantidade correta de ingredientes secos e húmidos para que a massa fique no ponto certo!

O que podes colocar

A compostagem termofílica envolve a utilização de dois tipos de resíduos: os verdes (geralmente mais húmidos), ricos em azoto, e os castanhos (geralmente mais secos), ricos em carbono. Ambos são essenciais para o processo de compostagem.
Exemplo resíduos castanhos

  • Folhas secas
  • Resto de relva cortada seca
  • Palha ou feno
  • Resíduos de podas secas
  • Aparas de madeira e serradura (sem verniz ou tratamento!)
  • Agulhas de pinheiros
  • Cascas de frutos secos
  • Ramos pequenos
  • Papel cartão (sem fita cola!)
  • Sacos castanhos de papel

Exemplo resíduos verdes

  • Folhas verdes
  • Ervas daninhas sem sementes
  • Restos de frutas e vegetais crus
  • Borras de café, incluindo filtros
  • Cascas de ovos esmagadas
  • Flores
  • Folhas de saquetas de chá
  • Aparas de relva fresca
  • Cascas de batatas
  • Restos de citrinos (laranja, limão, tangerina)

O que deves evitar ao máximo

Há, no entanto, alguns cuidados a ter em conta para que o processo decorra sem desagradáveis surpresas. Por exemplo, se depositares carne ou ossos no compostor poderá atrair ratos ou outras pragas indesejáveis. Alguns alimentos podem também dar origem a maus odores ou atrasar o processo. Evita colocar os seguintes resíduos:

  • Restos de carne e peixe
  • Comida temperada ou com gordura
  • Produtos lácteos
  • Plantas tratadas com produtos químicos
  • Óleos
  • Cortiça
  • Troncos e galhos grandes
  • Alimentos apodrecidos, com odor forte e desagradável e mofos escuros. Deita-o antes no lixo comum.

O que é PROIBIDO

  • Resíduos não biodegradáveis (vidro, plástico, metal, pilhas, etc)
  • Beatas de Cigarro
  • Medicamentos
  • Excrementos de animais domésticos

O que podes colocar em pequenas quantidades

  • Restos de pão
  • Restos de legumes cozinhados sem gordura
  • Cinzas / carvão vegetal (influenciam o pH)
  • Papel branco

Como começar?

1. Colocar ramos grossos cruzados no fundo (promovendo o arejamento e não compactação);
2. Adicionar uma camada de 10 a 20 cm de castanhos. Se quiseres ser ninja, podes adicionar também uma mão cheia de composto pronto. Assim terás mais microrganismos para iniciar o processo de compostagem;
3. Encher compostor alternadamente com resíduos castanhos e verdes;
4. A cada vez que colocares resíduos no compostor, deves Cobrir o topo com resíduos castanhos (a última camada deve ser sempre com resíduos secos, para evitar os maus odores e a proliferação de insetos ou outros bichinhos indesejáveis)
Nota: Quando chegar o momento de colocares os resíduos no compostor deves abrir um pequeno buraco para garantir que os novos resíduos ficam bem incorporados com os antigos. Deves misturar bem e aproveitar esse momento para conferir a oxigenação do material.

Porque deves ter pelo menos 2 compostores?

Ter 2 compostores permite que haja tempo para que um deles “descanse” enquanto o outro está a ser alimentado! Se não tivesses 2, quando enchesses o teu compostor, não terias onde colocar os resíduos seguintes, pois o único compostor existente ainda teria de ficar em “repouso” durante algum tempo até formar o composto.

O que fazer quando o compostor ficar cheio?

O compostor cheio deve descansar, por pelo menos 90 dias, para garantir a decomposição completa dos resíduos e estabilização do composto. Quanto maior for o controle da humidade e oxigenação, mais rápido e de melhor qualidade será o teu composto quando estiver pronto.

Fatores que influenciam a compostagem

Tamanho dos resíduos

O material a decompor deve estar em pequenos pedaços de forma a maximizar a superfície de contacto com os microrganismos Num compostor de jardim, cortar em pedaços de 5 a 10cm chega. No entanto, não deve ralar os resíduos e fazer uma papa, pois partículas demasiado pequenas limitam a circulação de oxigénio e água.

Temperatura

A atividade dos microrganismos termófilos provoca variações de temperatura. Valores elevados são essenciais para maximizar a eficiência de decomposição dos resíduos (a temperatura mais elevada, na fase termofílica, deve andar à volta dos 60º/70ºC). Grande parte dos microrganismos indesejados não sobrevive a temperaturas superiores a 70 ºC. Na falta de termómetro, espeta um tubinho/barra de ferro na pilha e espera alguns minutos. Ao retirares o tubo, coloca a mão: se a barra estiver quente, mas não queimar, está bom. Outra forma de verificar se está a aquecer o suficiente é se o teu compostor tem um “fumo de vapor” a sair, o que indica que há água a evaporar lá dentro.

pH

É recomendado que o pH se encontre no intervalo de valores de 5,5 – 8,5. Quanto mais próximo do valor 7, melhor. Há aparelhos simples de medição de pH à venda.

Relação carbono / azoto

Os nutrientes carbono (C) e azoto (N) são elementos chave em todo o processo da compostagem. É, por isso, importante que sejam adicionados materiais castanhos e verdes, ricos em carbono e em azoto respetivamente. Segue a proporção 2:1 (ou seja, 2x castanhos para 1x verdes)

Oxigénio (revirar frequentemente os resíduos)

O arejamento do composto pode ser feito com uma ferramenta própria ou até com um cabo de vassoura antigo. O importante nesta etapa é permitir que o ar penetre na matéria em decomposição. Para isso deves mexer/revirar regularmente o compostor pelo menos 1 vez por semana. Se faltar oxigénio na compostagem termofílica os resíduos orgânicos apodrecem de forma lenta, ganham um odor desagradável e ocorre a libertação de gases de efeito estufa como o metano, óxido nitroso e a amónia.

Humidade (fazer o “teste da esponja”)

Para perceberes se a humidade está adequada, deves espremer com a mão um pouco do material do interior do compostor e averiguar o seguinte: 1) se pingar, a pilha está demasiado húmida, por isso deves adicionar mais resíduos secos/castanhos; 2) se a mão continuar seca, a pilha está com falta de água, por isso deves acrescentar mais resíduos verdes e até pulverizar um pouco com água. O ideal é que, ao espremer o composto, a tua mão fique húmida. É muito importante controlar a humidade, uma vez que, se houver demasiada humidade, o conteúdo do compostor pode ficar compactado e, consequentemente, isso pode comprometer a oxigenação do material que está a ser decomposto. Por outro lado, a humidade demasiado baixa tem um impacto direto nos microrganismos que estão a atuar na decomposição: eles precisam da água para sobreviver, e um ambiente seco pode diminuir a sua atuação ou mesmo parar o processo de compostagem. Atenção: poderá ser necessário tapar a pilha com plástico em dias chuvosos.

Quanto tempo demora a compostar totalmente os resíduos?

Este processo pode ser mais ou menos demorado dependendo do acompanhamento que se faz, pois a degradação dos biorresíduos depende de vários fatores que devem ser monitorizados com frequência para evitar problemas. O tempo de compostagem pode variar entre 4 e 6 meses. É possível identificar que o processo terminou quando se veri­fica que a temperatura dentro da pilha atingiu a temperatura ambiente e não aumenta após reviramento da pilha e, ao mesmo tempo, quando o composto apresenta um aspeto homogéneo, de cor castanha e com um cheiro a terra húmida. Sendo o composto um “adubo natural”, a sua aplicação no solo ou em vasos, deve ser sempre efetuada uma mistura com terra.

Eventuais problemas e respetivas soluções

Estamos a chegar ao fim…


Isto da compostagem é muito fácil e divertido! Mas poderíamos ficar aqui a falar durante horas 🙂 Não precisas obrigatoriamente de saber, mas a verdade é que este processo envolve muita ciência! Nós por cá adoramos saber porque é que estas coisas acontecem… Porque é que a pilha aquece e depois volta a ficar mais fria, quais são os bichinhos que intervêm na decomposição dos resíduos, que reações químicas se desencadeiam durante o processo, etc etc Vamos sem dúvida partilhar tudo isso aqui no nosso blog para os mais curiosos! Mas vai ficar para um próximo artigo, que os dedos já doem…
Fizeste a compostagem e agora ficaste com composto a mais? Coloca o excedente em frascos usados e oferece a família e amigos!

Para qualquer questão, envia-nos uma mensagem para o ola@mudatuga.com ou no nosso instagram @mudatuga

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